domingo, 6 de dezembro de 2009

Falando de Presépios




1ª Parte - A Origem dos Presépio


A palavra “presépio” significa “um lugar onde se recolhe o gado, curral, estábulo”. Contudo, esta também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria, S. José e uma vaca e um jumento, por vezes acrescenta-se outras figuras como pastores, ovelhas, anjos, os Reis Magos, entre outros. Os presépios são expostos não só em Igrejas mas também em casas particulares e até mesmo em muitos locais públicos.

Os primeiros presépios surgiram em Itália, no século XVI, o seu surgimento foi motivado por 2 tipos de representações da Natividade (do nascimento de Cristo): a plástica e a teatral. A primeira, a representação plástica,  situa-se no final do século IV, esta surgiu com Santa Helena, mãe do Imperador Constantino; da segunda, a teatral, os registos mais antigos que se tem conhecimento são século XIII, com Francisco de Assis , este último, na mesma representação, também contribui para a representação plástica, já que fez uma mistura de personagens reais e de imagens. Embora seja indubitável a importância destas representações da Natividade para o aparecimento dos presépios, elas não constituem verdadeiros presépios.

O nascimento de Jesus começou a ser celebrado desde o século III, data das primeiras peregrinações a Belém, para se visistar o local onde Jesus nasceu.

Desde o século IV, começaram a surgir representações do nascimento de Jesus em pinturas, relevos ou frescos.
Passados 9 séculos, no século XIII, mais precisamente no ano de 1223,S. Francisco de Assis decidiu celebrar a missa da véspera de Natal com os cidadãos de Assis de forma diferente. Assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio (ou Grécio), que se situava perto da cidade. S. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro reais e feno, para além disto também colocou na gruta as imagens do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. José. Com isto, o Santo pretendeu tornar mais acessível e clara, para s cidadãos de Assis, a celebração do Natal, só assim as pessoas puderam visualizar o que verdadeiramente se passou em Belém durante o nascimento de Jesus.

Este acontecimento faz com que muitas vezes S. Francisco seja visto como o criador dos presépios, contudo, a verdade é que os presépios tal como os conhecemos hoje só surgiram mais tarde, três séculos depois. Embora não considerado o criador dos presépios (depende do ponto de vista), é indiscutível que se o seu contributo foi importantíssimo para o crescimento do gosto pelas recriações da Natividade e, consequentemente, para o aparecimento dos presépios.

No século XV, surgem algumas representações do nascimento de Cristo, contudo, estas representações não eram modificáveis e estáticas, ao contrário dos presépios, onde as peças são independentes entre si e, desta forma, modificáveis.

É, nos finais do século XV, graças a um desejo crescente de fazer reconstruções plásticas  da Natividade, que as figuras de Natal se libertam das paredes das igrejas, surgindo em pequenas figuras. Estas figuras, devido à sua plasticidade, podem ser observadas de todos os ângulos; outra característica destas é a de serem soltas, o que permite criar cenas diferentes com os mesmas figuras. Surgem, assim, os presépios.

A característica mais importante de um presépio e a que mais facilmente permite distingui-lo das restantes representações da Natividade, é a sua mobilidade, o presépio é modificável, neste com as mesmas peças pode recriar-se os diferentes episódios que marcam a época natalícia.

A criação do cenário que hoje é conhecido como presépio, provavelmente, deu-se já no século XVI. Segundo o inventário do Castelo de Piccolomini em Celano, o primeiro presépio criado num lar particular surgiu em 1567, na casa da Duquesa de Amalfi, Constanza Piccolomini.

No século XVIII, a recriação da cena do nascimento de Jesus estava completamente inserida nas tradições de Nápoles e da Península Ibérica (incluindo Portugal).

De entre os presépios mais conhecidos, é de salientar os presépios napolitanos, estes surgiram no século XVIII, nestes podiam observar-se várias cenas do quotidiano, mas o mais importante era a qualidade extraordinária das suas figuras, só a título de exemplo, os Reis Magos eram vestidos com sedas ricamente bordadas e usavam jóias muito trabalhadas.

No que se refere a Portugal, não é nenhum exagero dizer que em aqui foram feitos alguns dos mais belos presépios de todo o mundo, sendo de destacar os realizados pelos escultores e barristas Machada de Castro e António Ferreira, no século XVIII. 
Actualmente, o costume de armar o presépio, tanto em locais públicos como particulares, ainda se mantém em muitos países europeus. Contudo, com o surgimento da árvore da Natal, os presépios, cada vez mais, ocupam um lugar secundário nas tradições natalícias.

Proximamente o Presépio em Portugal 


10 comentários:

Teresa disse...

Quica, linda Quica... Vim a voar aqui, num minutinho! :)
Porque tenho novidades, amanhã telefono-lhe, sem falta.

Quanto às memórias de Natal... Olhe!! Nem queria saber!! Se ainda mantiver este concurso daqui a uns anos, terei uma boa história sobre o dia de hoje da montagem dos adereços na árvore de Natal cá de casa!! Inenarrável, inenarrável o sucedido e não me estico porque ainda não me endireitei da camada de nervos que apanhei e ao mesmo tempo acabo por não conseguir parar de rir de tão inenarrável que foi!! ehehehehhe

MAS... Há sempre um MAS!! Hei-de ir ali ao blog q eu tinha qdo tive um acidente (inenarrável, também!! Como vê, a minha vida é indescritível!!) porque venho partilhar umas graçolas do meu Natal quando era pequenota!!

A minha sobrinha Joana manda um beijinho grande! Agora que anda toda importante no 3º Ciclo, morre de saudades da OSMOPE!! Mas já lá ela adorava o infantário, claro!! :)

Beijnho, Quica! Até amanhã! O Pai Natal do nosso menino vai chegar mais cedinho, que vai! ;)
Dê muita força por mim à nossa querida e corajsa colega! Beijo a todos eles lá em casa! A casa do amor, da verdade e agora da Paz! Diga-lhe que não há casa melhor que essa, Quica! :)

Beijos para ela e corações saltitantes!!
Beijnhos estreladinhos***

poetaeusou . . . disse...

*
douto texto, amiga,
os Franciscanos, a Ordem
mais pura da Igreja Católica
Apostólica Romana,
não é Dr. Pe. Vítor Melicias ?
realmente foi o Santo Poeta,
Francisco de Assis, o inventor
do Presépio, foi numa Gruta em
Assis, e como bem dizes amiga,
falou das coisas do céu, num
local despido, a nudez franca
da pobreza, insinuando o fausto
desmedido de outros sectores …
está claro, que os irmãos
jumento e bovino, tinham que
estar presentes . . .
tenho a certeza que o Santo Poeta,
gostaria do Natal de Pessoa.
,
Chove. É dia de Natal
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
,
in-Fernando Pessoa,
,
conchinhas natalícias,
deixo,
,
*

Pó de Estrela disse...

Querida Teresa Estremelicada

Vou deitar um foguete! Pum! PUM! PUM! Afinal foram três. Também mereces. Deixaste-me em pulgas!!!
Primeiro as tuas memórias do "tal" blogue que eu não faço ideia qual seja! è o que está fechado, para trocar a palha, tal e coiso?

Depois, as peripécias de ontem em tua casa! Ficaste com os nervos em franja, fartaste-te de rir...e o Francisco? Faço ideia!!!

Depois, bem depois, a surpresa que para aí anda!Estou mesmo em pulguinhas.
Assim que puderes liga para me desinfectares, senão sou totalmente comida pelos bicharocos saltitões!

Beijinhos meu docinho, com sabor a...pudim de ovos.

Pó de Estrela disse...

Poeta querido poeta (lê com a pontuação que quiseres)

Acho que tens razão. Gostava de ver um encontro entre o nosso Francisquinho e o Pessoa.

Deixo-te um poema que hoje encontrei nos meus caminhos errantes.
Já não sei dizer Natal como sabia,
quando meu Natal, em minha aldeia,
era um presépio de musgo e de areia
e um menino adorando o Deus menino.

A família inteira, sentada ao borralho,
fazendo horas para a missa do galo
nessa noite fria cujo fogo nos aquecia
e nos dava alento para o ano inteiro.

Vou reaprender a dizer Natal, este Natal,
para que possa voltar a ser
alma de pássaro criança,
nestas memórias de infância.

Para que Deus me dê
nova estrela de Belém
que nos leve ao mais além.

Mas serão precisos muitos desses dias
para que, mais uma vez, possa nascer,
em figura humana, o meu Messias.

José Adelino Maltez

Espero que gostes
Doces sabores, junto da lareira te deixo

Pó de Estrela disse...

Poeta querido poeta

Regressei para te deixar mais um de Pessoa... :)

Natal... Na província neva.

Nos lares aconchegados,

Um sentimento conserva

Os sentimentos passados.


Coração oposto ao mundo,

Como a família é verdade !

Meu pensamento é profundo,

Estou só e sonho saudade.


E como é branca de graça

A paisagem que não sei,

Vista de trás da vidraça

Do lar que nunca terei !

Multiolhares disse...

Olá
Pó de Estrela,
Venho agradecer a visita ao meu cantinho e as delicadas palavras com que me agraciaste.

Quanto ao teu poste tudo tem um significado e o Natal esta repleto deles, não sei se sabes mas pela forma mística, os animais do presépio querem mostrar os nossos egos ,a forma animal que nos condiciona para a bondade, a estrela de David a luz que devemos procurar em nós mesmos transmutando a parte negativa para a positiva fazendo o amor nascer através de Cristo para nos podermos cristificar.
Tambem gostei do teu cantinho se me permitires vivei cá novamente
beijos

Pó de Estrela disse...

Luna

Claro que é com muito gosto que te receberei aqui.
Vem sempre que quiseres, que eu farei o mesmo contigo!

Beijinhos embrulhados em papel de seda

Licas disse...

Olá Quica

Como sempre adoro o teu cantinho
Gostei da história do presépio e espero a próxima.
Quando puderes passa pelo meu cantinho. Há lá mais um desafio ...
Beijinhos
Licas

Tite disse...

Ó Pó!!!!

Eu sei que aprendo muito com as minhas queridas Professora e amigas virtuais Quica e Licas, mas... será que temos que ler textos tão grandes!!!!

Como é possível fazer tudo o que temos para fazer nesta Quadra, que é imenso e ainda visitar as queridas que sempre têm algo de maravilhoso para nos ensinar?

Corro o risco de falhar pelos menos àquelas que mais trago no coração e nem vou dizer nomes.

Há sítios onde entro leio o post e nem me ocupo com os comentários alheios. Aqui... até os poemas de Fernando Pessoa me emocionam mais do que qualquer outro.

Desnecessário será dizer que fico à espera de saber curiosidades sobre os Presépios em Portugal.

Ah! também fiquei feliz por ler notícias da nossa querida Estremilicada, como tu lhe chamas.

Ela, aliás, tinha deixado uma mensagem para todas as amigas virtuais, incluindo tu, no meus post de Parabéns à Nampulinha.

Montes de beijos com sabor a rabanadas acabadinhas de fazer

alegria de viver disse...

Querida amiga
Mais uma história linda.
Obrigada pelo convite, até tentei, porque tenho muitas recordações maravilhosas, o caso é que as pessoas já estão no céu, e eu amo muito elas. Quando fui escrever chorava mais que um bezerro desmamado não deu, prefiro deixar para outra ocasião, esta data para mim que estou longe, é triste e alegre pois comemoramos o aniversário de JESUS, mas meu presépio tem algumas falhas, falta uma parte da família por quem sou apaixonada.
Com muito carinho BJS.