Feliz Natal para todos

Feliz Natal para todos
Paz aos homens de boa vontade

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Desafio da Licas em tom Natalício



Recebi o desafio de responder às perguntas que se seguem. Quem costuma andar por aqui, sabe que eu já respondi às mesmas, mas...como gosto MUITO da Licas, vou responder outra vez, mas com ar Natalício!


Mandam as regras indicar depois 5 blogues que dêem continuidade ao desafio.
como já passou por aqui várias vezes, deixo-o para quem a ele queira responder, com alusões à época Natalícia


Então aqui estou eu pronta para continuar em alegria este Natal dos nossos blogs:
Eu já tive 52 Natais lindos, ( de três não me lembro, mas pelos seguintes, tiro a amostra)cheios de ternura, de magia e de Valores como o Respeito, a Partilha, a Solidariedade, a Alegria, a Paz e o Amor.



Eu nunca  passei um Natal sem ir à Missa do Galo!


 
Eu sei que de algum modo, as Estrelas que me guiaram ao longo da vida, estão felizes por verem que continuo a pôr em prática as Tradições Natalícias da nossa linda Covilhã




Eu quero continuar a passar a todos os que comigo convivem , a Magia desta época, para que um dia mais tarde, a possam recordar docemente como eu.

Eu sonho Com um Natal onde não haja preocupações de guerra, de fome e de "desrespeito" pela Humanidade!

(Toda a gente sabe que eu sonho,
e o sonho faz parte da minha vida
e sempre que eu sonho
nasce a esperança
de que este mundo
seja lindo...como uma criança!





 um beijinho a todos cheiinho de Pó de Estrela

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

O Presépio em Portugal





pormenores de Presépios – oficina de Machado de Castro
séc. XVIII – barro policromado

Machado de Castro (Coimbra, 1731 – Lisboa, 1812)
Escultor, trabalhou na chamada Escola de Mafra. É autor das esculturas do monumento a D. José, no Terreiro do Paço, em Lisboa. Foi um notável ceramista, criador de minuciosos presépios de barro policromado.

Os presépios portugueses constituem importantes obras de arte, grandes barristas portugueses ocuparam-se com esta arte. Nestes presépios existe uma conciliação perfeita do folclore português com as correntes estéticas.

O Livro da Fundação do Mosteiro do Salvador da Cidade de Lisboa, de 1618, de autoria de Maria Baptista, refere-se à existência de um presépio ali, antes dos meados de Quinhentos, presépio esse muito venerado.

Há notícia de, pelo menos, outro presépio em Lisboa no século XVI, este foi encomendado a Bastião d’Artiaga em 1558 pela irmandade dos Livreiros de Lisboa, para a Igreja de Santa Catarina do Monte Sinai.

No século XVII, os presépios começam a espalhar-se pelo país.
O presépio barroco, no século XVIII, desenvolveu-se em Portugal no reinado de D. João V, recebendo talvez sugestão dos seus congéneres do Sul de Itália.
É neste século que se notabiliza, em Portugal, a produção de presépios pelas mãos de grandes barristas, em especial, Machado de Castro e António Ferreira.

Machado de Castro, em defesa perante as opiniões de um crítico, refere-se a António Ferreira, esclarecendo “que [se] não operou senão em barro, ou cera, não deixa por isso de ser Escultor”. Ora, tanto Machado Ferreira como António Ferreira, e de um modo geral todos os escultores da época, praticaram uma escultura de pequeno formato, em barro, onde a modelação impera.
Dos mais conhecidos presépios de Machado de Castro, destacam-se o da Igreja da Sé Patriarcal de Lisboa e o da Basílica da Estrela, também em Lisboa.
António Ferreira criou, também, importantes presépios, entre outros foi ele o escultor do enorme presépio da Igreja Madre de Deus, situada em Lisboa.
Nesta época, os presépios têm uma presença constante em igrejas, conventos e lares particulares. Infelizmente, muitos desses presépios foram desmantelados, como é o caso do famoso exemplar da Cartuxa de Laveiras, mesmo assim subsistem montados bons exemplares como é o caso do da Sé (1776), o da Basílica da Estrela (1782), o da Igreja de S. José, o da Capela da Senhora do Monte e o da Igreja dos Mártires; desmontados ou apenas com figuras avulsas estão em vários museus, como o Museu da Arte Antiga e do Azulejo.

Os presépios são largas narrativas que contam com a participação de pequenas figuras. Contudo, também existem em pequeno formato, com menor número de figuras e com uma narrativa mais sintética, como o do Palácio de Mafra, este é um pequeno presépio em madeira atribuído a José de Almeida.

De entres os presépios de maiores dimensões, temos como exemplos: o da Estela com cerca de 500 figuras e o da Madre de Deus com cerca de 200. Um outro presépio de grande dimensão encontra-se no coro alto do Mosteiro de Santo André de Ponta Delgada, nos Açores, e integrado no Museu Carlos Machado.

No século XIX, o presépio começou a ser objecto da arte popular, caindo em desuso a criação de presépios de monumentais.
Com introdução, em Portugal, do costume da árvore de natal no século XX, o presépio, infelizmente, passou para segundo plano.

Para quem quiser saber mais, deixo uma sugestão de livro:


Alexandre Nobre Pais reúne, neste magnífico álbum, amplamente ilustrado, alguns dos mais importantes presépios nacionais, incluindo vários de colecções particulares. Um documento raro da bibliografia portuguesa.
Neste livro poderá conhecer as origens de uma tradição secular, as histórias da História do presépio, do séc. XVIII, e algumas das colecções privadas, habitualmente afastadas dos olhares públicos. Uma arte muito representativa da religiosidade do nosso país, que, por falta de exemplos conservados, não tem conseguido afirmar-se como arte maior de reconhecida originalidade.

Proximamente: A tradição da Árvore de Natal


Beijinhos com cheirinho a musgo






domingo, 6 de Dezembro de 2009

Falando de Presépios




1ª Parte - A Origem dos Presépio


A palavra “presépio” significa “um lugar onde se recolhe o gado, curral, estábulo”. Contudo, esta também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria, S. José e uma vaca e um jumento, por vezes acrescenta-se outras figuras como pastores, ovelhas, anjos, os Reis Magos, entre outros. Os presépios são expostos não só em Igrejas mas também em casas particulares e até mesmo em muitos locais públicos.

Os primeiros presépios surgiram em Itália, no século XVI, o seu surgimento foi motivado por 2 tipos de representações da Natividade (do nascimento de Cristo): a plástica e a teatral. A primeira, a representação plástica,  situa-se no final do século IV, esta surgiu com Santa Helena, mãe do Imperador Constantino; da segunda, a teatral, os registos mais antigos que se tem conhecimento são século XIII, com Francisco de Assis , este último, na mesma representação, também contribui para a representação plástica, já que fez uma mistura de personagens reais e de imagens. Embora seja indubitável a importância destas representações da Natividade para o aparecimento dos presépios, elas não constituem verdadeiros presépios.

O nascimento de Jesus começou a ser celebrado desde o século III, data das primeiras peregrinações a Belém, para se visistar o local onde Jesus nasceu.

Desde o século IV, começaram a surgir representações do nascimento de Jesus em pinturas, relevos ou frescos.
Passados 9 séculos, no século XIII, mais precisamente no ano de 1223,S. Francisco de Assis decidiu celebrar a missa da véspera de Natal com os cidadãos de Assis de forma diferente. Assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio (ou Grécio), que se situava perto da cidade. S. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro reais e feno, para além disto também colocou na gruta as imagens do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. José. Com isto, o Santo pretendeu tornar mais acessível e clara, para s cidadãos de Assis, a celebração do Natal, só assim as pessoas puderam visualizar o que verdadeiramente se passou em Belém durante o nascimento de Jesus.

Este acontecimento faz com que muitas vezes S. Francisco seja visto como o criador dos presépios, contudo, a verdade é que os presépios tal como os conhecemos hoje só surgiram mais tarde, três séculos depois. Embora não considerado o criador dos presépios (depende do ponto de vista), é indiscutível que se o seu contributo foi importantíssimo para o crescimento do gosto pelas recriações da Natividade e, consequentemente, para o aparecimento dos presépios.

No século XV, surgem algumas representações do nascimento de Cristo, contudo, estas representações não eram modificáveis e estáticas, ao contrário dos presépios, onde as peças são independentes entre si e, desta forma, modificáveis.

É, nos finais do século XV, graças a um desejo crescente de fazer reconstruções plásticas  da Natividade, que as figuras de Natal se libertam das paredes das igrejas, surgindo em pequenas figuras. Estas figuras, devido à sua plasticidade, podem ser observadas de todos os ângulos; outra característica destas é a de serem soltas, o que permite criar cenas diferentes com os mesmas figuras. Surgem, assim, os presépios.

A característica mais importante de um presépio e a que mais facilmente permite distingui-lo das restantes representações da Natividade, é a sua mobilidade, o presépio é modificável, neste com as mesmas peças pode recriar-se os diferentes episódios que marcam a época natalícia.

A criação do cenário que hoje é conhecido como presépio, provavelmente, deu-se já no século XVI. Segundo o inventário do Castelo de Piccolomini em Celano, o primeiro presépio criado num lar particular surgiu em 1567, na casa da Duquesa de Amalfi, Constanza Piccolomini.

No século XVIII, a recriação da cena do nascimento de Jesus estava completamente inserida nas tradições de Nápoles e da Península Ibérica (incluindo Portugal).

De entre os presépios mais conhecidos, é de salientar os presépios napolitanos, estes surgiram no século XVIII, nestes podiam observar-se várias cenas do quotidiano, mas o mais importante era a qualidade extraordinária das suas figuras, só a título de exemplo, os Reis Magos eram vestidos com sedas ricamente bordadas e usavam jóias muito trabalhadas.

No que se refere a Portugal, não é nenhum exagero dizer que em aqui foram feitos alguns dos mais belos presépios de todo o mundo, sendo de destacar os realizados pelos escultores e barristas Machada de Castro e António Ferreira, no século XVIII. 
Actualmente, o costume de armar o presépio, tanto em locais públicos como particulares, ainda se mantém em muitos países europeus. Contudo, com o surgimento da árvore da Natal, os presépios, cada vez mais, ocupam um lugar secundário nas tradições natalícias.

Proximamente o Presépio em Portugal 


M.6 Memórias da Elvira

M. 6LVIRA


http://6feira.blogspot.com/

Quando eu era menina (e já lá vão tantos anos) o Natal era uma festa.
Meus pais, e meus avós diziam que na noite de Natal o Menino Jesus vinha recompensar os meninos bons e trazer presentes.
Nós vivíamos num barracão de madeira que em tempos fora habitado por 4 casais e respectivos filhos, mas no qual ficaram apenas os meus pais, quando os outros casais se foram.
O barracão tinha um salão com 11 metros ao fundo do qual tinha um fogão, constituído por duas fileiras de tijolos com uma grelha em cima, e um forno de tijolo onde minha mãe cozia o pão.


Pelo Natal todos os anos vinham meus avós do Norte e se juntavam lá em casa com alguns dos filhos, - meus tios.
Não havia rádio, nem TV, nem sequer luz eléctrica.
Mas haviam 3 candeeiros a petróleo, que na noite de Natal ficavam acesos até depois da meia noite. Antes do Natal meu pai colhia no pinhal perto da nossa casa, muitas pinhas, que debulhava.




Partia alguns pinhões para comermos e os outros eram para jogarmos.
Ele mesmo fazia uma piorra com o Rapa Tira Põe e Deixa.
Ou então jogávamos ao "Pinhas alhas" que era assim. Cada um tinha 50 pinhões para começar o jogo. Pegávamos uns quantos na mão fechada, e dizíamos para os parceiros "Pinhas alhas" e o outro respondia "abre a mão e dalhas"
"Sobre quantas?" E saía um número. Se fosse a quantidade que tínhamos na mão, tínhamos que dar os nossos pinhões. Mas se errassem tinham que nos dar tantos pinhões quantos tínhamos.E era o nosso entretém. 
Pelas 10 horas, meu pai dizia que tínhamos de ir para a cama e mandava-nos pôr os tamancos junto ao fogão para o Menino Jesus deixar os presentes.



E nós lá deixávamos os tamanquitos e íamos para a cama na esperança de que nesse ano o Menino Jesus deixasse uns brinquedos iguais aos dos filhos do capitão que geria a Seca do Bacalhau, onde os meus pais trabalhavam e nós vivíamos.
Mas no dia seguinte era sempre a mesma coisa. Uma tremenda decepção, pois lá só havia meia dúzia de rebuçados e dois ou três figos secos.
Lembro-me que um ano, decidi esperar acordada a chegada do Menino Jesus para lhe perguntar porque é que deixava lindos brinquedos aos filhos do capitão que eram meninos ricos a quem não faltava nada e a nós que éramos tão pobres que não tínhamos nada só deixava rebuçados.
Consegui manter-me acordada e quando ouvi barulho, levantei-me e apanhei a minha mãe a pôr os rebuçados nos tamancos.
Fiquei tão revoltada, pensei que o Menino Jesus não queria saber de nós, fartei-me de chorar, e foi a
minha avó que para me acalmar, me explicou que o Menino Jesus não vinha dar prendas a ninguém que era uma tradição dizerem isso porque fazia anos que Ele nascera, mas que na verdade as prendas eram dadas pelos pais e os meus não tinham dinheiro que desse para outra coisa que não os rebuçados.
Foi um choque e um alivio ao mesmo tempo.



sábado, 5 de Dezembro de 2009

Continuando as Memórias M.5 memórias da Mer




M.5 ER
http://retirodoeden.blogspot.com
Memórias do Natal…

A minha primeira memória do Natal
foi ter-me perdido com a minha avó materna,
na Quinta da Boneca, em Caldas da Rainha…
quando andávamos a apanhar musgo.
Ainda hoje consigo sentir a aflição de pensar que a noite se aproximava e nós, ali,
sem sabermos como sair daquele espaço verde, todo igual a si mesmo…
tal como a vida de cada um de nós,
quando andamos a apanhar o que achamos de belo e bom
para alindar as nossas vidas
e por vezes nos perdemos…
ou por isto, ou por aquilo, ou com isto, ou com aquilo….
e ficamos iguais a nós mesmos…
não nos modificamos,
e vem um ano e outro e
continuamos a mergulhar e a mergulhar
nesse musgo verde de esperança,
com cheiro característico duma nova vida vegetal,
mas vida.

Nesses tempos, era mesmo muito pequenina,
tinha 3, 4 e 5 anitos.






A família era muito numerosa.
Havia muitos avós de parte a parte, do lado do meu pai e da minha mãe,
bisavó, tios, primos.
Eu era a mais velha de 13 bisnetos dessa minha muito querida bisavó,
que ainda guardo no meu coração,
como se estivesse hoje a vê-la
com tanta idade
e a fazer as filhós e os coscorões na noite da consoada.
De manhã, bem cedinho,
lá ia à chaminé e encontrava os presentes,
os que vou recordar e outros que se foram esfumando
das minhas lembranças com o tempo e também com a memória…
sim porque a memória também já se gastou,
tal como os brinquedos que já lá vão… 

Lembro-me de estar de joelhos no chão,
ao lado de minha mãe a montar o primeiro presépio,
feito de bonecos de cartão recortados e pintados por mim,
com a supervigilância de minha mãe,
para que tudo ficasse na perfeição.
Os pais por mais que supervigiem, quando tem de acontecer,
acontece e só Deus, o nosso Menino, nos poderá proteger. 

Lembro-me que, nessa altura,
colocava-se a um canto da sala das refeições
uma árvore que para mim era gigante.
Tinha bolas coloridas e brilhantes,
daquelas que, com um pequeno toque, partiam-se.
E foi isso mesmo que aconteceu…
tinha um tio, irmão de meu pai, que eu muito amava,
e que apesar de ser meu tio e ser mais velho que eu,
a sua maturidade era a mesma de uma criança…
e os dois, tio e sobrinha, nesse ano,
deliciámo-nos a jogar à bola perto da árvore
e partimos, quando a bola lhe bateu,
uma quantidade enorme
daquelas bolas coloridas que enfeitavam a árvore de natal.

Exactamente como nas nossas vidas…
vamos jogando, jogando e partindo e deixamos
que nos partam, os sentimentos nos nossos corações. 
Enquanto meu marido recebia um cavalinho de papelão
que, ao dar-lhe banho, ficou todo desfeito...
Lembro-me ainda, por essa altura, duma alcofinha forrada de tecido branco
às pintinhas de cor rosa,
com um bebé dentro,
tudo confeccionado pela minha mãe…
nesse tempo não sabia e para mim, tudo vinha do Céu,
pela chaminé.
Era o Menino Jesus, o meu Menino,
que me trazia,
assim como uma cartinha dizendo para me portar bem,
para ser uma boa menina e comer tudo.
Nunca fui boa para comer e sempre preocupei demais a família nesse sentido.
O portar-me bem, eu cumpri, ou fiz por cumprir,
o resto, ainda hoje, como somente o indispensável
para a minha sobrevivência, nada mais.

Lembro-me também de ter recebido, como prenda,
um ovo dentro de vários recipientes para fazer um truque de magia,
magia essa que todos temos de fazer
nas nossas vidas
para que, quando o menos bom bate á porta…
tudo fique mágico e por Deus
fiquemos bem sempre na Sua companhia. 

Mais tarde, já com 8 ou 9 anos,
na cidade de Faro, onde vivi três anos da minha infância,
uma amiguinha de brincadeiras de rua…
sim porque naquele tempo, em Faro,
brincávamos todos na rua logo que as aulas acabavam.
Andávamos nas casas uns dos outros e, à noite,
as famílias iam para as janelas para nos acompanhar nas nossas brincadeiras…
especialmente no verão.
Nesta época de natal visitávamos as casas dos nossos amigos
para ver os presépios e,
em Janeiro, era para ouvir e cantar as “janeiras”.
Dizia eu, essa minha amiguinha veio-me confidenciar
uma grande descoberta que tinha feito…
não havia Menino Jesus…
eram os nossos pais que compravam e nos davam as prendas no natal.
Nem queria acreditar, os meus pais nunca mentiam…
por isso, eu só tinha que confiar neles
e não numa amiguinha de brincadeiras de rua.
O certo é que, no roupeiro,
estavam uma série de materiais escolares e de leitura
e também uma caneta de tinta permanente grená.
Quando no dia do sapatinho na chaminé
vejo tudo o que já tinha visto no armário…
nem tive coragem de dizer que todos eram uns falsos mentirosos
e que me tinham enganado durante tantos anos…
fui tão mentirosa quanto eles…
Ao mesmo tempo senti pena em os desiludir!
foi uma confusão de sentimentos
passados em minutos, segundos...
calei-me e fiquei com a minha mentira e a minha desilusão!
Sim, porque tudo o que nossos pais nos contam e dizem,
nem sempre é a verdade,
é sim a verdade deles e tal pode não ser a nossa verdade.

Há que saber filtrar e nunca nos desviarmos do bom caminho…
mas o caminho é só aquele que ELE
quiser e mais ninguém
tem o dever de se intrometer.
Ninguém é de ninguém,
nem mesmo nós somos donos dos nossos filhos,
nem eles são propriedade nossa.

Lá longe, algures,
o mesmo estava a acontecer a meu destinado companheiro,
hoje (há 34 anos juntos) meu marido
o pai de
nosso querido filho.

Os anos passaram e veio a adolescência, o namoro, o casamento.


Já grávida e tendo apanhado uma grande gripe,
foi necessário chamar o médico num dia de natal.
Relembro que nesse dia o meu marido ouviu,
através do estetoscópio,
o bater do coração do nosso bebé.
Foi uma bela duma prenda de natal…
uma das melhores das nossas vidas.
Há 31 anos tudo era diferente,
nem se sabia sequer qual o sexo do bebé que vinha a caminho.
Passados alguns dias o nosso filho nasceu.
A minha mãe, a meu pedido,
novamente me forrou uma alcofinha,
como já tinha feito para o sapatinho do natal,
mas agora era a sério, era para o futuro neto,
já de carne e osso, esse bonequinho com vida
estava deitadinho
numa linda alcofinha
e desta vez era de cor azul. 

Todos os anos apanhávamos
musgo ou no Retiro,
ou na Assafora,
e, por último, aqui junto à Mata de Monsanto.
Como por magia as mesmas figurinhas todos os anos reapareciam.
E nós os dois, sempre em silêncio,
íamos elaborando o nosso presépio
cheio de elevações improvisadas
e com um espelho a fazer de lago.



entretanto os natais sucederam-se com a família que ainda restava.
Todos os anos nos juntávamos aqui em casa
e quem fazia de Menino Jesus era o nosso pequenino
que ia à árvore de natal e retirava os embrulhos e distribuía por todos os presentes. 

Durante ainda uns bons anos,
assim foi possível, até Deus o entender,
o podermos estarmos juntos ainda neste planeta Terra.

Quis poupar a desilusão sofrida
e nunca menti ao nosso filho, dizendo que descia pela
chaminé o Menino Jesus.
Procurei explicar-lhe que era através da Sua vontade
que conseguíamos comprar o que ele
ía receber
e dar
como prendas aos familiares presentes.

Os pais não sabem mesmo o que é melhor...
presentemente
ele diz,
que teve pena por não ter vivido
essa ilusão,
essa magia
do natal

Mais tarde,
no Natal de 2000,
o meu filho trouxe-nos o nosso neto, ao tempo com dois meses,
também deitado nessa mesma alcofinha
que lhe tinha servido de berço.
Foi uma das melhores prendas de natal
nestes últimos nove anos.
Era cerca da meia-noite do dia 24DEZ
que, pela primeira vez,
o nosso netinho
Daniel
veio aqui a nossa casa.
 

Posso garantir que nestes últimos nove anos
nada mais me recordo de tão agradável e tão bom.
Desde esse dia achei que o natal deveria ser todos os dias…
chamem-me idiota,
mas tenho Maria, José e o nosso Menino Jesus
na minha sala,
sempre exposto,
desde que meu netinho
nasceu


Tal como gostávamos que sempre fosse a nossa família,
fazemos, por vezes, grande, mas grande esforço
para atingirmos essa firme finalidade.




quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

É Hoje o Dia - Memórias da Quica




É Hoje o Dia


- Já é hoje ?
- Não, ainda faltam 8 dias!
A menina tentava contar pelos dedos, mas só sabia contar até 5… como é que se chegava ao 8 ? Era muito tempo?
- Gija, já é hoje?
- Não! Amanhã vamos buscar o pinheiro e o musgo, depois de amanhã é que é o dia!

Depois de amanhã? Pensava a menina com os seus olhos verdes brilhantes, de quem já tinha vivido 4 Natais e tinha gostado muito! Depois de amanhã, deve ser depois de dormir…

E sonhou com florestas e gnomos com enormes pinheiros às costas e estrelas que vinham a correr do céu para enfeitar o pinheiro! E a menina voava, voava com as estrelas e olhava cá para baixo para as luzinhas da sua cidade que se começava a enfeitar para o Natal…

- Quica, acorda! Vamos lá! O Avô já está pronto para irmos para a serra!
Num instante vestiu as calças, uma camisola, um casaco bem quente, umas botas, um cachecol e um garruço para não ficarem as orelhas geladas.
Subíamos a nossa Estrela, como o Avô lhe chamava, devagarinho, por causa do gelo e íamos a um sítio que se chamava Pião! Morava lá um Senhor que nos dizia onde se podia cortar o pinheiro, tarefa que competia ao avô! A menina e a Gija ficaram a encher os cestos com musgo ainda molhado de orvalho.
- Gija, como é que nasce o musgo?
- São os duendes que o fazem numa fábrica de sonhos, para servir de cama às fadas, aos coelhinhos, aos cogumelos…
- Olha um cogumelo!
- Não o apanhes, vamos levá-lo junto com o musgo. Vai ficar muito bonito!
Naquela noite, toda a casa cheirava a Magia de fadas da floresta.
- Gija, é amanhã?
- É Quica. É amanhã! Agora vais para a cama fazer um soninho porque amanhã temos muito que fazer!
E deu à menina um beijo com sabor a surpresas e a festas!

- Acorda Guigui! É hoje! É hoje!
- Valha-me Nossa Senhora rapariga, ainda só são 6h da manhã. Dorme que ainda é cedo!
Mas a menina não queria dormir mais. Devagarinho foi ao quarto da Gija, mas a porta estava fechada! Se calhar era mesmo muito cedo! Foi então em biquinhos de pés para a sala, onde o Bobi dormia debaixo da mesa, com uma orelha arrebitada para qualquer barulhinho estranho! E ali ficou com o cheirinho a musgo e a pinheiro, à espera que a casa acordasse, porque finalmente, já era “Hoje”!

Depois de beber o leite e comer o pão, veio o Avô.
- Então Quica, vamos trabalhar?
- Sim! Sim! Disse a menina com os grandes olhos a brilhar, antecipando a alegria que se aproximava!
Subiram-se as escadas do sótão, e o Avô abriu a porta mágica!
- Ora vamos lá ver: é esta, esta, esta e esta! Podes levar esta Quica que é levezinha, mas com cuidado, para não a deixares cair!
A Menina pegou na caixa com muito cuidado e seguiu o Avô até à sala!
- Posso abrir vovô?
- Não. Primeiro, vamos por o pinheiro, as caixas e os jornais!
Num instante, transformou o canto da sala, num sítio mágico, onde caixas e jornais amassados faziam montes, e vales, sempre à sombra do sr. pinheiro que parecia brilhar de orgulho!
_ Bom, agora vamos lá abrir as caixas!
Da primeira saíram belas bolas coloridas e brilhantes que dormiam há um ano, nos seus lençóis de papel de seda!
- Cuidado Quica! Estas vieram Paris e estas vieram de Londres… Um dia quando fores crescida hás-de ir a Paris!
E as lindas bolas parisienses, londrinas ou marroquinas, iam enfeitando o pinheirinho, que sabendo-se importante, esticava os seus ramos verdes, com muita delicadeza para que neles pudessem atar as bolas de tanta beleza!
A seguir, abriu-se um cestinho de verga, barrigudo, onde muito enroladinhos espreitavam fios de ouro e de prata que fizeram de pulseiras, colares e cachecóis ao pinheirinho. Que lindo que ele estava!
Agora que o pinheiro no seu canto estava enfeitado, chegou a vez do musgo e do cogumelo, que pelas mãos do Avô foram tomando forma de tapete mágico por cima de caixas e de jornais.
Faltavam duas caixas!
Da primeira saiu uma linda cabana, com o telhado cheio de palha! E uma casa com janelas azuis, outra com portas verdes, outra tinha uma varanda, todas feitas em madeira e muito bem pintadinhas. E mais uma igreja, uma ponte, e um castelo!
O Presépio ia crescendo perante os olhos extasiados da menina!
Numa caixinha, estavam as pratas dos bombons, muito esticadinhas com a ponta das unhas, que serviram para fazer o rio!
Finalmente a última caixa, a que a menina mais esperava!
- Avô, posso tirar os papéis?
- Só das mais pequeninas. Eu vou-tas dando!
Assim pelas mãos da menina passaram muitas ovelhas, tantas que ela nem as sabia contar. Eram mais do que cinco!
- Olha Quica, esta é Nossa Senhora!
- Eu sei, é a Mãe do Jesus! E aquele é o S. José o que tem um pau nas mãos! Onde está o Menino Jesus?
- Está no fundo, guardado noutra caixinha. Vamos desembrulhar primeiro estes todos!
E assim foram tomando lugar os pastores, as lavadeiras, o moleiro com o burrinho, o pobrezinho, que tinha uns olhos muito tristes, os reis magos, os camelos e as ovelhinhas que eram semeadas por toda a parte!
- Avô! Olha a caixa do Menino Jesus!
E do meio dos papéis, saiu a figura de que a menina mais gostava. Um bebé só com fraldinha, com os bracinhos esticados e um grande sorriso na cara! Foi posto, numa caminha de palha com muito jeitinho, para não se partir nenhum dedinho!
- Ó Maria Luísa, chamou o Avô pela Gija!
- Diga Pai, que quer?
- É preciso um paninho para tapar o Menino!
E da gaveta dos panos de renda, saiu o paninho para tapar o Menino Jesus. Só se tirava na Noite de Natal, que era quando Ele nascia!

Só faltava uma coisa! A neve! O Avô trouxe farinha, e foi fazendo caminhos brancos no musgo, e depois espalhou farinha por todo o presépio, para parecer que tinha nevado!
- Avô, O Menino Jesus vai-me trazer presentes?
- Portaste-te bem? Se te portaste bem e vieres todos os dias cantar ao Menino Jesus, de certeza que Ele não se vai esquecer de ti!

Então, a menina ali ficava, a cantar a canção de natal que melhor sabia!
Ó meu Menino Jesus
Ó meu Menino tão belo
Só Tu quiseste nascer
Na noite do caramelo!
*
Entrai pastores entrai
Por este portal sagrado
Vinde adorar o Menino
Numas palhinhas deitado
*
Gló-ó-ó-ó-ó ó-ó ó
Ó- ó- ó- ria
In Excelsis Deo

Esta é a memória mais doce que aquela menina guarda do seu natal de criança. Desde então, todos os anos, no dia 8 de Dezembro, faz o presépio, primeiro com os filhos, este ano pela primeira vez com a neta, com o coração cheio de ternura e de emoção, embrulhados em papel de seda, com todo o cuidado, para que nada se parta e possa perdurar na memória de todos com quem ela convive.

 Este Natal, passou-se na Covilhã, em 1961, e recordo-o como se fosse hoje
Que o Avô , a Gija e a Guigui, de lá do Céu, possam ler estas memórias, pois a eles as devo.
Obrigada.





Presépios com algumas figuras da minha infância, mas feitos cá no Porto há relativamente pouco tempo

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Memórias da Branca, da Tité ,da Licas e da Margarida



                                      http://brancamar.blogspot.com

Memórias de Natal:
 

As minhas, as melhores prendem-se com toda a família reunida e prendem-se principalmente com os meus avós maternos. Com o conforto que sentia, o brilho, o cheiro das rabanadas e da aletria, do creme queimado, de rapar o fundo dos tachos quando a minha mãe acabava de o fazer, de gostar de andar à volta dela na cozinha e de ajudar na decoração e o meu avô sentado num cadeirão com um ar imenso de felicidade e eu ria-me com ele, aconchegava-me nele, mas ficava a ver os nossos soldados lá longe numa guerra colonial sem sentido e à medida que se aproximava a hora de jantar pensava também naqueles que não tinham Natal e quando a minha mãe chamava para que todos se sentassem eu sentava-me e corriam sempre lágrimas pelos meus olhos, era como um oração de graças pelo que tinhamos e outros não tinham, doía-me essa diferença e não era capaz de começar a comer sem sentir essa comunhão e todos sorriam condescendentes, já fazia parte do ritual, depois o calor da família, a festa, a simplicidade da ceia envolviam-me num apaziguamento de ternura e paz. Os presentes que eram sempre uma surpresa mas que vinham sempre ao encontro dos desejos do ano inteiro e o barulho que o menino Jesus fazia na chaminé e que a minha mãe tão bem improvisava, só muito mais tarde percebi como conseguia que houvesse toda uma barulheira na cozinha e por fim gente que batia à porta até 
que íamos ver e todos os nossos sapatos tinham presentes. Não existia a figura do pai Natal, ainda não tinha sido importada e o presépio que a minha mãe fazia era enorme, com musgos e rios simulados com diversos materiais.
Boas recordações continuei a tê-las quando passei a ser eu a fazer o Natal para todos, os filhos pequenos, os seus avós e a minha avó, às vezes os tios, já não tinha o meu avô, mas as crianças cresceram, as pessoas foram partindo e a minha avó que era a pessoa que sempre foi a minha maior cúmplice, a minha luz, partiu um dia na véspera de Natal, no mesmo ano em que nasceu a minha filha mais nova.
Costuma-se dizer que Deus fecha uma porta e abre uma janela. Nesse ano fiz a ceia de Natal para todos depois de a minha querida avó ter sido sepultada de manhã a 24, a minha filha tinha 9 meses e o irmão 7 anos, por eles tudo pareceu igual, apesar de a alma pesar, sobretudo a da minha mãe que tinha perdido a sua mãe, apesar de tudo as crianças não sentiram e ajudaram-nos a superar. Hoje passados 25 anos sinto tanto, sinto mais ainda a saudade que ela me deixou,na altura tinha que me entregar aos outros, hoje estou só como aqui e agora para pensar nela e chorar livremente.
Hoje o Natal é mais triste, os filhos cresceram, os pais envelheceram e é custoso vê-los envelhecer e desinteressarem-se progressivamente pela vida.
Hoje o Natal vive de belas recordações, continuo a gostar dele, mas abomino o consumismo que lhe é inerente na nossa civilização, os costumes importados que o desvirtuam, as trocas de prendas que já não são surpresas que nos fazem brilhar os olhos, carregadas de afectividade mas escolhas interesseiras. Do Natal que tinha apenas resta um pequeno grupo, embora no dia 25 nos juntemos todos, os poucos que somos e resta o presépio grande que a minha mãe me deu como passagem de testemunho desde que se cansou de tanta vida, desde que perdeu a sua mãe, agora sou eu que o faço, que dou continuidade a uma tradição que se vai perdendo. E nunca deixo de o fazer.




Natal de 1952/53, sob o título "A minha 1ª língua estrangeira"


Memória longínqua do Natal de 1952/53, sob o título 
"A minha 1ª língua estrangeira"

Sei que não tenho jeito para contar histórias e nem sequer fico abalada com isso. Não se pode ser bom em tudo e eu sei que sou boa noutras coisas, tais como... deixa cá ver... e não é que... sei lá!!!! Olha o melhor é deixar as gabarolices para outro dia pois hoje parece que fui atacada pelo alemão e não me lembro de nada. Mas o que é que eu estava a falar mesmo???? Ah! no desafio da Quica. Resolvi aceitar e dar corda aos dedos para me lembrar que...


A história passa-se... já lá vão uns largos anos, teria para aí uns 6-7 anos, no tempo em que as crianças não tinham a abundância de prendas que têm hoje e nem pensávamos muito o que iríamos pedir ao Pai Natal.

Os meus Pais, tal como muitos outros naquele tempo de vacas magras, nem se atreviam a perguntar-nos o que gostaríamos que o Pai Natal nos colocasse no sapatinho. Sim porque nesse tempo colocávamos os sapatos, um par pelo menos, na chaminé e, de madrugada, por muito cedo que nos levantássemos lá teríamos a dádiva desse bondoso velhinho que descia as chaminés previamente limpas pelos "limpa-chaminés" profissão que hoje, que me conste, já nem existe.

A ansiedade por saber o que me caberia em sorte era tanta que eu tentava escutar todas as conversas, sem que ninguém desse por isso, para antecipar um pouco a alegria da magia daquela data tão ansiada por mim. É que naquele tempo as datas que mais adorava eram o Natal, pelas prendas e pelo ambiente bem diferente que se vivia em família, e o Verão para ir passar uns dias à Praia de Santa Cruz a casa que uma tia minha alugava à temporada. Tanto escutava, tanto escutava que dei por mim a achar estranho que os meus Pais de quando em vez falassem entre si uma linguagem estranha. A minha curiosidade foi enorme mas nem me dei ao trabalho de saber que raio de língua era aquela. Tal como em outras ocasiões ouvia dizer à minha mãe: cuidado!!! as paredes têm ouvidos, querendo com isso dizer que eu estava presente e poderia perceber a conversa de adultos que então faziam, também naquela altura percebi que aquilo tinha a ver com a minha presença e fiquei à coca.

De facto, não se deve nunca menosprezar a inteligência das crianças. A partir daquele momento a minha atenção redobrou e, passado algum tempo, toda aquela linguagem fazia sentido. Fiquei tão atenta mas tão atenta que o som feito pela tal lingua estranha me deu pistas e descobri... imaginem... que o meu Pai Natal ia trazer-me, além de presentes úteis para vestir o único brinquedo a que tinha direito devido à escassez de recursos - um estojo em madeira para colocar os lápis que, após as férias de Natal, levaria para a Escola Primária.

Foi uma alegria imensa poder saber com antecedência pois também já tinha percebido que o tal Pai Natal era, nem mais nem menos que o Pai e a Mãe de cada um de nós. Mas... porque diabo estaria eu a contar esta história se não tivesse havido a tal interpretação da linguagem? É que hoje não se ouve falar muito destes truques para ludibriar as crianças mas naquele tempo usava-se e chamava-se linguagem dos pês. Sabem como se fazia? Era assim... Jápá tepenhopo apa prenpendapa dapa Napatérpécipiapa (já tenho a prenda da Natércia) e por aí fora...

Fiquei feliz porque, quando nesse Natal me precipitei para a chaminé, lá estavam as prendas que tinha ouvido os meus Pais falar, em linguagem estranhíssima, confirmando que sem eles saberem eu tinha aprendido a 1ª língua estrangeira da minha vida. 



                                                                 

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Era uma Noite de Natal fria e estrelada..
Num prédio arte nova, numa das antigas ruas do Porto, uma criança vivia cada minuto mágico, onde tudo e todos pareciam ter sido vestidos de luz e cor.
Era a azáfama costumada…
Um vaivém entre a cozinha e a sala.
Da mesa levantavam-se os pratos do bacalhau e as travessas com os pedaços que no dia seguinte se converteriam em farrapo velho.
Mas a mesa com a toalha de festa, parecia pedir para não ficar vazia e, como por encanto, de novo se encheu de rabanadas, aletria, sonhos, bolo rei e tantas outras iguarias das quais sobressaia o cheireinho a canela.

Mas a criança, saltava de um lado para o outro …
Não era bem disto que esperava.
Chegava-se junto dos Pais e perguntava:
- Ainda falta muito?
Ela esperava o Pai Natal velhinho que lhe iria provar se durante o ano se portou bem ou mal.
- Papá, eu portei-me bem, não portei?
- E a Mamã acha que sim?
- O Pai Natal tem força para trazer tudo, a todos os meninos?
- E eu vou vê-lo?
- Vá lá! Comam depressa que ele deve estar a chegar.

O Pai levantou-se, pegou na criança ao colo e abeirou-se da janela.
A rua estava deserta e silenciosa.
Nas outras casas luziam alguns pinheiros de Natal.
No céu escuro, aninhavam-se as estrelas, que pareciam brilhar mais do que nos outros dias.


- Vês aquela estrela ali? Perguntou o Pai
Sim, a menina via, não uma, mas muitas estrelinhas, que tremelicavam no céu.
- Qual Papá?
- Aquela ali maior e com mais luz.
Sim, a menina via aquela estrela e conseguiu no seu imaginário ampliá-la, para que lá coubesse o Pai Natal, as renas e os brinquedos, como o Pai lhe dizia.
Nunca mais despregou os olhitos daquela luz…
E quanta luz dela emanava!

Bastou porém um ruído no interior da casa…

De imediato deixou de ver a estrela maior e acreditou que afinal o Pai Natal tinha chegado e descido pela chaminé.
A criança correu tão excitada quanto incrédula.

Viu os presentes no chão

Com as lágrimas a correrem-lhe pela face, garantia ainda ter visto os pés do Pai Natal.

Ela não mentia!
Apenas acreditava no seu sonho.

Esta imagem perdurou no tempo…

Os anos passaram-se
Os cabelos embranqueceram
A vista cansada ainda reconhece a tal estrela grande e luminosa onde se escondia o velhinho das barbas e as renas envelhecidas, .mas a menina/mulher, agora só consegue fazê-lo através dos olhitos dos seus netos,
Para ela existem sim, talvez com mais brilho ainda, outras estrelas que todas as noites a iluminam e a quem dirige a última palavra do dia
Nessas estrelas moram aqueles que a amaram e que fizeram dos seus natais de criança, verdadeiras noites de magia.

Boa Noite Mãe!
Boa Noite Pai!
Este será sempre o nosso Natal.




M.4 Agui (bengalinha)

Não é bloguista , mas costuma fazer comentários no meu Blog!





O que lembro do meu Natal de menina.

Recordo com saudade os Natais da minha infância passados na Serra da Estrela, na casa dos meus avós. Era sempre um período mágico, cheio de movimento, alegria e mistério, mas, mais importante que tudo, era o facto de ainda não ter consciência das prendas e do seu significado materialista.
Relembro com carinho a expectativa da noite mágica. Tudo começava dias antes com a preparação das mesas para a consoada, pois em casa dos meus avós celebrava-se um Natal cheio de gente: a família, os amigos e até o Sr. Padre se sentavam connosco para comer o bacalhau e nos abençoar. Chegavam a ser 30 pessoas à mesa… A sala de jantar era desmontada e colocavam-se mesa em “u” no centro, cobertas por toalhas brancas acabadas de passar a ferro. O serviço de louça, o talher e os copos eram os das festas e saíam dos armários para serem lavados, limpos, areados para brilharem sobre a brancura das toalhas.
Na véspera faziam-se as filhoses, amassadas à mão em alguidares de barro e deixadas a levedar umas horas, antes de serem fritas.
A excitação começava no final do dia 24, com a chegada dos convidados e com a distribuição dos lugares na mesa. As “criadas” com as fardas engomadas, serviam respeitosamente os mais velhos primeiro. Nós, as crianças, aguentávamos pouco tempo sentados e éramos dispensados rapidamente para a brincadeira.
Perto da meia-noite, preparávamos-nos para ir à Missa do Galo. Agasalhávamos-nos bem e caminhávamos sobre a neve até à capela onde o sino já tocava a chamar os fiéis para a celebração do nascimento do menino.
Recordo com amor o regresso a casa e o pormenor do meu bisavô espreitar pela fechadura para verificar se o Menino Jesus já tinha vindo.
Cada criança espreitava à vez e descobria, então, o brilho dos laços e as cores dos papéis sob as luzes que piscavam.
Das prendas que tive nada recordo… mas todos estes momentos viverão em mim, enquanto eu existir.



terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Para os Blogs ficarem com ar de Natal







Olá
Para tornar a "coisa" mais real e séria, criei este post para quem quiser levar para os seus blogs e acrescentar a hiperligação http://santitates.blogspot.com

Como gosto muito de repartir, junto algumas imagens que podem levar para enfeitar os vossos blogs




 

Se quiserem mais é só dizerem. Uau! Adoro o Natal! 


Beijinhos com cheirinho a musgo acabado de apanhar!

domingo, 29 de Novembro de 2009

Hoje começa o Natal!




É verdade! Hoje, 1º domingo do Advento começa o Natal.
A partir de hoje e durante 4 semanas preparamos a Festa do Natal!

Antes que a Licas se antecipe, desta vez sou eu que vou lançar o desafio.

Vamos partilhar as Nossas Memórias do Natal.

A partir de hoje e até ao dia 13, vamos escrever as nossas  recordações.

Entre 14 e 21, votamos  naquela que mais nos tocou.

6 pontos para a 1ª
5 pontos para a 2ª
4 Pontos para a 3ª
3 pontos para a 4ª
2 Pontos para a 5ª
1 ponto para a  6ª

No dia 23 anuncio o vencedor (a)

Todos terão certificado de presença e haverá um prémio para melhor!

Vamos lá! acho que todos temos coisas para contar e que de certeza nos farão reviver Natais , com um espirito diferente do de hoje.

Podem escrever as histórias nos comentários do blog, mas se for mais cómodo para vós, podem mandá-las para o meu mail, ( juoli2@hotmail.com) que eu publico!

Vejam lá, ponham essas cabecinhas e dedinhos a trabalhar! Vamos fazer um verdadeiro Adevento na Blogosfera!

Beijinhos cheiinhos de Pó de Estrela de Natal

sábado, 28 de Novembro de 2009



A Licas do http://licas-ontemehoje.blogspot.com enviou-me este selo e um desafio para que de uma forma simples me fiquem a conhecer melhor.


Terei que completar as seguintes frases


Eu já tive...
Eu nunca...
Eu sei...
Eu quero...
Eu sonho...


Agora o mais difícil, para quem não gosta de deixar ninguém de fora!

Mandam as regras indicar 10 blogues que dêem continuidade ao desafio. 
Então aqui vão:


Agora as respostas:

Eu já tive:

Oportunidade de ajudar a brilhar, centenas de Estrelinhas que estão guardadas no meu coração.(agradeço todos os dias a Deus por isso)



Eu nunca...
Vou esquecer a felicidade de ter um filho nos braços.


Eu sei...
Que nada sei e estarei sempre a aprender, continuando a nada saber!


Eu quero...
Ao partir um dia, deixar um rasto que outros possam seguir e recordarem-me com alguém que lutou sempre por um Mundo de Amor, Fraternidade e Justiça.


Eu Sonho...
Eu nasci a sonhar e vou de certeza morrer a sonhar! A sonhar com quê?
Com um Mundo onde as crianças não sofram (e os idosos, e os animais e...), os homens falem mais de Paz do que de Guerra, que a Humanidade aprenda com os seus erros e comece uma nova era mais consciente nos seus actos...

* sonho, um dia poder olhar cá para baixo e poder ver as minhas estrelinhas brilhar!


Obrigada Licas.

A todos um abraço de uma Pó de Estrelas Sonhadora!